Aprendendo a aprender com as pessoas

novembro 28, 2016 12:00 pm Publicado por Deixe um comentário

Você já parou para pensar em como aprende algo novo? Uma nova linguagem de programação, padrões e boas práticas, ou aquela arquitetura sobre a qual você ouve o tempo todo, mas vem adiando um estudo mais cuidadoso?

Parece uma pergunta com resposta simples, mas tudo começa a ficar mais complicado se você é um desenvolvedor em um mercado agitado, onde as tecnologias mudam e evoluem da noite para o dia, e onde o aprendizado rápido e a adaptação são fundamentais para manter-se atualizado.

Você pode preferir ler livros, ou fazer cursos, mas a verdade é que a troca de experiências tem um papel importante na manutenção do conhecimento, e ter a atitude certa em relação às pessoas ao seu redor pode te levar longe.

Em seu artigo sobre o ShuHaRi, o processo japonês de aprendizagem, Martin Fowler menciona que nos dois primeiros estágios, Shu e Ha, o estudante segue as instruções do mestre precisamente, focando em realizar a tarefa e, posteriormente, começa a desenvolver o entendimento da teoria por trás da técnica. O ponto aí é que há a figura do mestre, aquele que direciona os primeiros passos do discípulo e dá base para que ele possa seguir sozinho.

As virtudes de quem sabe aprender

Em empresas de tecnologia com times cada vez mais heterogêneos, onde encontramos pessoas com diferentes experiências, interesses e especialidades, há um terreno fértil para ampliar o seu entendimento sobre o que ainda não sabe, sobre o que sabe pouco, ou até mesmo o que se considera especialista.

Você precisa estar aberto a ouvir e a enxergar seus colegas como os mestres de algo que pode lhe ser útil em determinado momento. Em uma equipe onde todos trabalham pelos mesmos objetivos, um membro deve colaborar para a evolução do outro, em um processo que culmina em melhores resultados.

É preciso ter humildade para aprender com as outras pessoas.

Praticando a humildade

A humildade é considerada uma grande virtude, ligada ao bom caráter e à simplicidade. Mas, com um conceito tão abstrato, como promover essa característica no desenvolvimento de software?

O Extreme Programming (XP) é uma metodologia que tem como um de seus principais pilares a colaboração. Dentre os processos colaborativos propostos, quero citar dois que exercitam a humildade dos desenvolvedores: code review e pair programming.

Code Review

Todo código escrito por uma pessoa é revisado por um ou mais membros do time antes de ir para produção. O trabalho do autor passa pelo crivo de seus colegas, onde o conteúdo é avaliado de acordo com os padrões estabelecidos para a empresa, o projeto, ou o time.

O código é submetido a críticas e questionamentos, tudo em prol da qualidade do que é entregue, e da aderência aos critérios definidos e acordados entre todos. A adoção de ferramentas automáticas elimina discussões superficiais e abre caminho para debates construtivos. A intenção é que todos participem e aprendam.

Agir com humildade durante esse processo, levando em consideração a opinião dos envolvidos, facilita a discussão sobre determinado tópico e leva ao aperfeiçoamento da solução final. Além disso, é uma ótima ferramenta para a descoberta de gaps de conhecimento entre as pessoas. Nesse caso, o objetivo não é medir habilidades, mas sim promover a evolução de todos.

Pair Programming

Aqui, o código para realizar determinada tarefa é escrito “a quatro mãos”. Dois programadores trabalham juntos, em tempo real, na mesma solução. Enquanto um assume o papel de piloto, escrevendo o código e compartilhando sua linha de raciocínio, o outro atua como co-piloto, dando sugestões e fazendo perguntas. Os participantes revezam nessas posições a cada ciclo de tempo definido.

Agir com humildade frente às sugestões de seu par faz com que o código seja analisado de maneira mais pragmática, buscando o melhor caminho: Esta é mesmo a melhor solução? A mudança sugerida é mais adequada do que a implementação inicial? Por quê? As respostas para essas perguntas são discutidas imediatamente, com bastante interação entre os envolvidos.

Neste método, a troca de experiências é enorme. Quanto mais o par estiver aberto a ouvir e discutir, melhor será o resultado final e maior será o aprendizado.

O poder do “não sei”

Dizer “não sei”. Esta é possivelmente uma das coisas mais desconfortáveis para qualquer desenvolvedor de software. Especialmente os mais experientes, que são vistos como referência em certo assunto, linguagem de programação, framework etc. Certamente, é preciso humildade para admitir que você não sabe algo, e que não tem a resposta para determinada pergunta. Ao mesmo tempo, é algo libertador e abre portas para novas ideias.

Desde sempre, somos ensinados que é errado não saber de alguma coisa. Na escola, somos punidos por isso. Ficamos expostos e nos sentimos enfraquecidos. Na realidade, como alguém pode saber tudo sobre algo?

Partindo dessa premissa, é preciso entender as vantagens de admitir essa condição e buscar respostas, permitindo também que as pessoas ao seu redor compartilhem seu pensamento. Essa é uma característica muito valiosa para se ter no dia-a-dia de trabalho. Mesmo sendo uma referência em certo tema, eventualmente, você não terá a resposta para uma pergunta, e seu comportamento em relação a este fato pode significar o enriquecimento da sua base de conhecimento, e o fortalecimento da sua relação com as pessoas.

Controlando a humildade

Ser humilde demais acaba transformando a virtude em fraqueza. Aceitar tudo o que é imposto por outros invalida o debate de ideias e limita o ganho gerado pela troca de experiências.

Você deve ouvir o que o outro tem a dizer e considerar suas sugestões, mas questionar sua definição até que entenda os benefícios do que é sugerido, para que possa comparar com a ideia inicial. Por vezes, você pode se encontrar numa situação de “mestre-discípulo” (onde não sabe nada sobre o assunto), e decidir se submeter ao Shu, estágio onde simplesmente aplica a técnica proposta, até que tenha familiaridade suficiente para entender seus princípios.

Qualquer que seja a sua posição em um time de desenvolvimento, você deve estar disposto a rever seus paradigmas. Qualquer que seja a sua experiência ou nível de especialidade, você sempre pode aprender coisas novas e aperfeiçoar suas habilidades.

Se você for humilde o suficiente para mudar de opinião, debater com isenção, e aceitar que não sabe de tudo, você estará intensificando suas relações e, de fato, aprendendo com as outras pessoas.

Source: IMasters

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Este artigo foi escrito pormajor

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