Fórum E-Commerce Brasil 2016 – saiba o que aconteceu no Auditório de Tecnologia – Parte 02

agosto 12, 2016 5:00 pm Publicado por Deixe um comentário

O segundo dia do Fórum E-Commerce Brasil 2016, no auditório de tecnologia, trouxe alguns temas muito interessantes para os developers! Dentre eles, vamos abordar um pouco dos microsserviços, usabilidade, desenvolvimento front end, transformação digital e DMP.

Em microsserviços, as discussões iniciaram com uma definição muito simples e didática do tema. Esta definição foi dada por Newman, da ThoughtWork, e diz o seguinte: “Microsserviços são pequenos serviços autônomos que trabalham bem em conjunto”. Parece algo básico, mas esse é o conceito principal de uma definição.

A partir daí, o assunto foi crescendo um pouco mais. Chegamos a definição de que são processos independentes, pequenos, especializados e que se comunicam por meio de APIs.

Definido o conceito, a discussão partiu para o lado das suas aplicabilidades. O primeiro pensamento que se deve ter em mente é que os microsserviços não servem para qualquer arquitetura. Antes de mais nada, você deve pensar em como funciona o seu negócio, afinal, microsserviços servem para resolver problemas de negócio. Se você chegar a conclusão de que a sua arquitetura irá trabalhar bem com microsserviços, agora devemos pensar em como escalar esta arquitetura quando necessário, para isso existem alguns quesitos: duplicação horizontal, partição de dados e decomposição funcional.

Definida a sua arquitetura e esses pré-requisitos, precisamos falar sobre tecnologia. O sistema precisa ser poliglota, ou seja, você pode usar qualquer tecnologia (linguagem) nele. O principal é escolher a tecnologia que melhor resolve os seus problemas, por exemplo, utilizar Python em sistemas de recomendação de produto.

Em seguida o palestrante apresentou algumas vantagens e desvantagens, afim de auxiliar os presentes a entender se os microsserviços servem para o seu propósito.

Vantagens:

  • É possível alinhar a arquitetura da aplicação com a arquitetura da empresa;
  • Entregar funcionalidade rapidamente;
  • Escalar de forma independente;
  • Permissionamento restrito;
  • Testar novas tecnologias facilmente.

Desvantagens:

  • Grande possibilidade de caminhos, e assim, um time jr pode se perder facilmente;
  • Além disso, é um caminho demorado, o primeiro microsserviço é complicado, precisa de muitas decisões para que saia do papel;
  • É necessário saber como os microsserviços irão se comunicar.

Em consequência, o palestrante defendeu que automação é obrigatória quando falamos de microsserviços e deve ser pensada desde o desenvolvimento do primeiro microsserviço, visto a quantidade desenvolvidos na aplicação -podem ser cerca de centenas -, o que tornará humanamente impossível gerenciar.

A conclusão que se chegou de boas práticas neste tipo de desenvolvimento foi que a infraestrutura deve ser pensada como parte do código, os testes devem ser automáticos, e é necessário escrever expectativas junto com dos testes automáticos. Além disso, os microsserviços não podem acessar a mesma tabela; cada um precisa de uma. Os logs precisam ser centralizados e a monitoração deve ser descentralizada. Por fim, é importante padronizar e criar regras para APIS.

Para falar sobre desenvolvimento front end, tivemos a presença de uma figurinha carimbada do iMasters, o mestre Shiota. Shitoa fez uma abordagem sobre como a Booking trabalha com front end em Amsterdam. Foram ressaltados alguns pontos muito interessantes defendidos pela Booking, como experimentação, monitoramento, performance, empoderamento e continuous improvement.

O palestrante começou abordando o tema localização e internacionalização. Aqui existe a necessidade de entender e incorporar a cultura do usuário. Isso se torna muito importante quando falamos de culturas diferentes. Dependendo de onde o site for acessado e por quem, podem acontecer quebras devido a diferença de moedas, estilos de escrita, estilos de leitura etc. Por exemplo, se o tamanho de um label for único para todo o site, devido a conversão de moedas, em algum lugar do mundo o label ficará pequeno.

O ponto mais importante levantado pelo Shiota foi o da experimentação. Segundo o palestrante, é de extrema importância que se façam testes e que em cima dos testes sejam coletados dados. Essa seria a melhor maneira de se tomar uma decisão assertiva.

No Booking, eles aliam a coleta de dados com os teste A/B. Um exemplo foi o design de um botão. Foram lançados dois tipos de botão e foi recolhida uma enorme quantidade de dados relacionados a nova feature. Em seguida, foram confrontados os resultados para saber se havia ou não relevância na conversão, por exemplo, em relação ao design do botão. Além dos designs, também são testados versões de jQuery, bibliotecas de rendering reativos (performance ou impacto do usuário), dentre outros.

Para que a empresa e os desenvolvedores tenham argumentos, são necessários dados, e para que se obtenham dados, é necessário o monitoramento de todos os dados. Cada evento gera uma quantidade de dados; como tudo é monitorado e guardado, o tempo de resposta dos erros é muito rápido. Aqui, a ideia principal é não atrapalhar a UX esperando os resultados de dados.

Dentro do Booking, também é dada grande importância para a performance. O usuário precisa conseguir realizar o que ele quer, independente da tecnologia ou localização dele. Isso é metrificado, gera dados e é armazenado na área de testes AB. Também são utilizados service workers. Além disso, eles trabalham com assets, templates assíncronos e pre-fetching de asstes.

Para garantir que a equipe tenha uma visão única do produto e que todos se sintam responsáveis, o Booking preza pelo empoderamento do desenvolvedor. Algo muito interessante que foi dito na palestra, foi que lá eles incentivam que os desenvolvedores novos façam deploy em produção, com apenas poucas semanas de empresa. E para tornar a brincadeira mais interessante, eles torcem para que o desenvolvedor quebre o código. Assim, cria-se uma cultura de responsabilidade dos desenvolvedores com o código e o produto em si, além de produzir um sentimento de confiança nos desenvolvedores. No Bbooking, todos são igualmente responsáveis pelo sucesso do produto e pelas decisões.

Em seguida, nós acompanhamos o Juliano Tubinho, da Accenture Digital. O palestrante abordou o que ele chama de cinco grandes shifts da transformação digital.

  • Atualmente não se fala mais em plataforma mobile, isto já é passado.Hoje se vive o comportamento mobile. Um exemplo que foi dado, foi da empresa Tesla, quea é uma indústria automobilística que gerou upgrade do seu carro de acordo com os serviços. Ou seja, não se pensa mais na plataforma, na interface em si. Mas, sim, no comportamento do cliente, do usuário. Ele precisa ter acesso onde quer que ele esteja, na plataforma que ele estiver usando. Pensando desta forma, podemos entender que os carros podem ser visto como plataformas mobile e até plataformas de e-commerce. Você poderia encontrar um restaurante próximo a você, por intermédio do seu próprio carro. E não apenas isso, você pode fazer o seu pedido, sabendo o tempo de espera, assim, ao chegar no restaurante, você pode apenas retirar o seu pedido sem nem ao menos sair do carro para fazer qualquer tipo de pagamento. Resumindo, o entorno das aplicações móveis irá mudar.
  • Questionou-se a importância do dado, afinal, “data is the new black”.Os dados atualmente são de suma importância para qualquer ecossistema. Para se ter uma ideia, o script do seriado “house of cards” foi construído em cima de analytics. Hoje conseguimos utilizar os dados dos clientes para fazermos sugestões mais assertivas, criar perfis personalizados, dentre outros. O palestrante define os dados como a infraestrutura básica das informações.
  • Do funil comum (linear) para o não linear.A conveniência tem relação com a melhor experiência de cada serviço. É necessário saber qual o momento de oferecer seus serviços aos usuários. O importante, neste ponto, é aproveitar a oportunidade a fim de melhorar a experiência nos serviços.
  • De privado para público.Um dos mais básico, mas que realmente funciona. Para tal, basta darmos valor a informação. Se você for pegar alguma informação, ou qualquer coisa, dê algo em troca. Tudo isso se resume em políticas e economias colaborativas. Duvida que isso funcione? Basta observa o Linux.
  • Da pesquisa para a influência.Os valores de cada cliente são diferenciados. A necessidade da sua empresa entender o perfil único de cada cliente é primordial, entretanto é um trabalho árduo. Porém, existe uma maneira muito simples e sutil de delegar esta responsabilidade. A partir do momento que você entender que a sua audiência não é mais aquela que você alcança, mas aquela que você tem influência, basta mapear seus público e identificar os influenciadores da sua marca dentro dos seus clientes. Daí em diante, cuide bem deles e deixe que eles assumam esta responsabilidade.

Finalizando nossa cobertura no auditório de tecnologia, acompanhamos uma palestra com Pedro Reiss e Cristiano Nobrega, que falaram sobre dados e DMP. A primeira dica dos palestrantes foi: “Não depender de dados comuns”. Os dados comuns são importantes e fazem parte de uma infraestrutura de comunicação, entretanto, os dados comportamentais são essenciais.

Para os palestrantes, conhecer o consumidor com precisão possibilita campanhas mais eficientes e que melhoram a etapa final do funil de conversão.

Sobre DMP, acrônimo para “Data Management Plataform”, os palestrantes insistiram na possibilidade de insights e ativação. Mais uma vez surgiu a ideia de que é necessário entender quem são os seus clientes influenciadores, os chamados clusters. Com esses clientes devidamente mapeados, independentemente de você conhecer o nome deles, é possível trazê-los para dentro do seu funil e agregar valor à sua marca.

O gerenciamento correto dos dados, também possibilita aos varejistas, organizar o fluxo massivo dos dados, tornar visível aquilo que antes não era possível de se enxergar, reduzir drasticamente a dispersão na comunicação e alavancar os KPIs de campanha caso a caso.

Um fluxo da importância dos dados perante outros aspectos da empresa está elaborado abaixo, segundo a perspectiva dos palestrantes:

  • Dados>segmentação
  • Dados>mídia
  • Dados< estratégia

Assim, é possível entender como o conjunto de estratégias impactam o comportamento das pessoas (alvo). As estratégias devem ser aplicadas por meio de canais que estão inseridos entre dados e segmentações, que por sua vez estão dentro das tecnologias.

Para entender melhor este fluxo de implementação, podemos observar esta sequência de implementação.

Primeiramente, segundo os palestrantes, é importante a coleta de informações do consumidor em todos os pontos de interação. Em seguida, deve-se utilizar os dados obtidos como insights e segmentação em campanhas. A partir daí é necessário fazer o compartilhamento de dados e segmentos entre os canais proprietários e pagos, assim, finalmente conseguir uma identidade única do consumidor.

A DMP funciona basicamente de uma maneira muito simples. Ela é vinculada a outras plataformas e utiliza os dados de forma pró ativa em cima de análises. Ademais, a DMP pode se conectar ao CRM e trazer os dados de fora, loja física ou off-line e levar para dentro da DMP, gerando assim, informações suficientes para que se estabeleça uma estratégia de sucesso.

Assim, terminamos o dia no auditório de tecnologias. Trouxemos para casa um bocado de insights, tecnologias, cases, desrupturas e provocações. Será que estamos fazendo o certo? Será que essas tecnologias cabem na nossa empresa?

Os ouvintes que entraram com essas dúvidas no auditório, certamente obtiveram suas respostas no decorrer das palestras. A nós, só cabe agradecer a excelente estrutura e conteúdo do Fórum E-Commerce Brasil 2016, e que venha o 2017!

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Source: IMasters

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Este artigo foi escrito pormajor

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