Por que ainda precisamos falar de mobile first?

setembro 27, 2016 1:00 pm Publicado por Deixe um comentário

Mobile First não é um conceito novo para quem trabalha com design ou desenvolvimento web há um certo tempo. O primeiro artigo escrito por Luke Wroblewski sobre o tema foi publicado em 2009, e o livro de mesmo nome foi lançado em 2011. A ideia central do Mobile First – como o próprio nome já diz – é projetarmos primeiro para mobile, e depois para desktop. O objetivo disso é exercitarmos o nosso poder de síntese, já que o meio mobile não deixa espaço para nenhum conteúdo de relevância duvidosa. Assim, conseguimos não somente pensar de uma forma mais objetiva na versão mobile, mas também otimizar a versão desktop.

A questão é que trabalhando dessa forma, nós conseguimos eliminar aquilo que é um dos maiores problemas nos sites de hoje: o lixo informacional. No desktop temos espaço e queremos colocar ali toda informação que temos disponível – que é o oposto do que pregam todos os princípios de usabilidade. Cada tela de um site/aplicativo deve ter apenas uma função/conteúdo principal, e devemos fornecer ao usuário somente a informação que ele quer/precisa naquele momento. Quando projetamos primeiro para mobile, somos forçados a eliminar todo conteúdo de relevância duvidosa e nos preocuparmos com aquilo que realmente importa, pois o espaço é reduzido e o tempo de interação é menor. Quando transportamos isso para a tela grande, conseguimos otimizar os nossos sites desktop.

Além de agilizar o processo de desenvolvimento, essa redução na quantidade de informações proporciona economia em tráfego de dados e manutenção. Mas não vamos falar somente em redução de custos, e sim em aumento da lucratividade. Sabemos que quase 90% dos consumidores que tiveram uma experiência negativa com certa marca passaram a comprar de um competidor. Pensando nisso é fácil afirmar que uma experiência adaptada ao dispositivo em uso aumenta o engajamento com a marca, e que um fluxo de tarefas mais limpo e objetivo aumenta a conversão.

Apesar de considerar que o Mobile First – ou ao menos a sua intenção – faz muito sentido e deveria ter maior relevância para o nosso mercado, principalmente pelo protagonismo que os smartphones e tablets ganharam na vida das pessoas em relação aos demais dispositivos, a verdade é que o conceito ainda é pouco usado e disseminado no Brasil. A grande maioria das empresas sequer se deu conta da importância de desenvolver uma versão do seu site/aplicativo para mobile, que dirá projetar primeiro para tal.

A exemplo disso, no ano passado fui convidado para dar uma palestra sobre Mobile First para os diretores de tecnologia de uma grande empresa, para convencê-los (isso mesmo, “convencê-los”) da importância de se investir em mobile. Não sei para você, mas para mim ter que explicar essa importância em uma época em que o número total de pessoas acessando a web através de dispositivos móveis já superou o acesso via desktop, e em que existem cinco ou seis vezes mais telefones celulares no mundo do que computadores é, no mínimo, ridículo.

Infelizmente, apesar de termos no Brasil ótimos profissionais, ainda vivemos em um mercado muito anacrônico. Com exceção daquelas que são especializadas, são poucas as empresas no Brasil que investem em mobile como se deve. Se olharmos para os seus sites reduzidos (seja em versão mobile ou responsiva) por exemplo, o que temos na maioria das vezes é aquela velha coisa para inglês ver: interfaces espremidas de uma forma um pouco mais amigável no celular, porém com os mesmos padrões de interação e fluxos de tarefa que foram pensados para o desktop.

A verdade é que quando falamos em mobile, é importante pensarmos em mobilidade, e não em dispositivos. Cada vez mais as pessoas querem estar conectadas e se comunicando a todo momento e em todo lugar, e os profissionais de tecnologia estão nessa corrida constante em busca da ubiquidade. Sabemos que o futuro da tecnologia caminha nesta direção, das interfaces naturais, e isso faz com que exista uma grande variedade de oportunidades que, na maioria das vezes, não é explorada pelas empresas. O que me consola em tudo isso é ver essa nova safra de empreendedores criando soluções digitais cada vez mais inseridas no dia a dia das pessoas, resolvendo problemas reais e cotidianos, garantindo, assim, uma presença digital relevante e trazendo uma esperança de renovação para esse nosso mercado.

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Source: IMasters

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